
gigante estivesse ali.
- Comigo está a salvo - Joffrey desembainhou sua
Dente de Leão. O som do aço raspando em couro a
fez tremer. - Por aqui - disse ele, levando o cavalo
por entre um grupo de árvores.
Para lá delas, numa clareira aberta ao lado do rio,
encontraram um rapaz e uma menina brincando de
cavaleiros. Suas espadas eram paus, aparentemente
cabos de vassoura, e eles corriam pela clareira,
batendo-se com vigor. O rapaz era bem mais velho,
uma cabeça mais alto, e muito mais forte, e era ele
quem atacava. A menina, uma coisinha magricela
vestida de couro manchado, esquivava-se e
conseguia pôr sua "espada" no caminho da maior
parte dos golpes do rapaz, mas não de todos. Quando
ela tentou uma estocada, ele parou o pau dela com o
seu, varreu-o para o lado e golpeou-lhe duramente os
dedos. Ela gritou e deixou cair a "espada".
Príncipe Joffrey soltou uma gargalhada. O rapaz
olhou em volta, com os olhos muito abertos e
sobressaltado, e deixou cair a"espada" sobre a relva.
A menina olhou para eles furiosa, chupando os nós
dos dedos para afastar a dor, e Sansa ficou
horrorizada.
- Arya? - gritou, incrédula.
- Vá embora - gritou Arya de volta, com lágrimas de
fúria nos olhos. - O que você está fazendo aqui?
Deixe-nos em paz.
Joffrey olhou de relance para Arya, depois para
Sansa, e depois de novo para Arya.
- É a sua irmã? - ela confirmou com um aceno,
corando.
Joffrey examinou o rapaz, um jovem desajeitado
com uma cara grosseira, sardenta, e espessos cabelos
ruivos. - E quem é você, rapaz? - perguntou, num
tom de comando que não dava qualquer importância
ao fato de o outro ser um ano mais velho que ele
próprio.
- Mycah - o rapaz murmurou. Reconheceu o príncipe
e desviou os olhos. - Senhor.
- É o filho do carniceiro - disse Sansa.
- É meu amigo - retrucou Arya em voz penetrante. -
Deixem-no em paz.
- Um filho de carniceiro que deseja ser cavaleiro, é
isso? - Joffrey saltou da montada, de espada na mão.
- Pegue a sua espada, filho de carniceiro - disse, com
os olhos brilhantes de divertimento. - Vamos lá ver
como se comporta,
Mycah ficou imóvel, congelado de medo.
Joffrey caminhou na sua direção.
- Vá lá, pega ela. Ou será que só luta com
menininhas?
- Ela me pediu, senhor - disse Mycah, - Ela pediu.
Sansa só teve precisou olhar para Arya e ver seu
rosto corado para saber que o rapaz falava a
verdade, mas Joffrey não estava com disposição de
ouvi-lo. O vinho o deixara excitado.
- Vai pegar sua espada?
Mycah abanou a cabeça.
- É só um pau, senhor. Não é espada nenhuma, é só
um pau.
- E você é só o filho do carniceiro, não é nenhum
cavaleiro - Joffrey ergueu Dente de Leão e pousou
sua ponta na bochecha de Mycah, abaixo do olho,
enquanto o filho do carniceiro permanecia imóvel,
tremendo. - Aquela em quem batia é a irmã da
minha senhora, você sabe disso? - um brilhante
botão de sangue rebentou onde a espada fazia
pressão na pele de Mycah e uma lenta linha
vermelha deslizou pela bochecha do rapaz.
- Para com isso! - gritou Arya, e agarrou seu pau no
chão.
Sansa sentiu medo.
- Arya, mantenha-se fora disto.
- Não vou machucá-lo... muito - disse o Príncipe
Joffrey a Arya, sem desviar os olhos do filho do
carniceiro.
Arya saltou sobre ele,
Sansa deslizou de cima da égua, mas foi lenta
demais. Arya brandiu a "espada" com ambas as
mãos. Ouviu-se um sonoro crac quando a madeira se
quebrou contra a nuca do príncipe, e então tudo
aconteceu ao mesmo tempo perante os horrorizados
olhos de Sansa. Joffrey cambaleou e rodopiou,
rugindo pragas. Mycah fugiu para as árvores tão
depressa quanto as pernas podiam levá-lo. Arya
atacou de novo o príncipe, mas desta vez Joffrey
parou o golpe com a Dente de Leão e arrancou-lhe a
"espada" das mãos. Tinha a nuca cheia de sangue e
os olhos em fogo. Sansa gritava: - Não, não, parem,
parem os dois, estão estragando tudo -, mas ninguém
a ouvia.
Arya pegou uma pedra e atirou-a na cabeça de
Joffrey. Em vez de atingi-lo, acertou o cavalo, e o
baio vermelho empinou-se e partiu a galope atrás de
Mycah. - Parem, não, parem! -, gritou Sansa
novamente. Joffrey avançou em direção de Arya,
espada em punho, gritando obscenidades, palavras
terríveis, nojentas. Arya saltou para trás, agora
assustada, mas Joffrey a seguiu, levando-a na
direção do bosque, encurralando-a contra uma
árvore. Sansa não sabia o que fazer. Ficou vendo,
impotente, quase cega pelas lágrimas.
Então, uma mancha cinzenta passou por ela como
um relâmpago e, de súbito, Nymeria estava ali,
saltando, cerrando as mandíbulas em torno do braço
de Joffrey que manejava a espada. O aço caiu-lhe
dos dedos quando a loba o atirou ao chão, e rolaram
na relva, com a loba rosnando e abocanhando o
príncipe, que guinchava de dor.
- Tirem-na daqui! - ele gritou. - Tirem-na daqui!
A voz de Arya estalou como um chicote.
- Nymerial
A loba gigante largou Joffrey e foi até junto de
Arya. O príncipe ficou estendido na relva,
choramingando, agarrado ao braço retalhado. Sua
camisa estava empapada de sangue. Arya disse:
- Ela não te machucou... muito - ela ergueu 